Atualizado em 20 de outubro de 2026 · 4 min de leitura · para maiores de 18 anos
Filho viciado em apostas: o que fazer agora
Comece pelo que está nas suas mãos: o seu dinheiro, a conversa e a oferta de ajuda concreta. Um filho adulto não pode ser obrigado a parar, e a proibição das bets não fez a vontade dele sumir. A MP 1.394/2026 fechou as casas autorizadas a partir de 06/10/2026, mas os sites clandestinos continuam chegando ao celular por Telegram, WhatsApp e SMS.
O Ministério da Saúde avisa que parar de apostar "pode provocar inquietação, irritabilidade ou desejo intenso de voltar a apostar" (Ministério da Saúde, 10/10/2026). Se o seu filho está mais irritado desde outubro, isso pode ser parte do mesmo problema, e não só "gênio difícil".
Os sinais, nas palavras do Ministério da Saúde
A mesma página lista o que merece atenção: dificuldade para reduzir ou parar; tentar recuperar perdas apostando mais; esconder ou mentir sobre as apostas; comprometer salário, economias ou o orçamento da família; usar a aposta para lidar com estresse; mudanças no sono e no humor; conflitos por causa disso. Um sinal sozinho não é diagnóstico, diz o ministério, mas já é motivo para conversar com um profissional.
Para a mãe e o pai, os sinais costumam aparecer primeiro no dinheiro: pedidos de empréstimo com motivos que mudam, Pix pedidos "até sexta", objetos que somem de casa, o celular sempre virado para baixo.
O dinheiro: o que é seu
- Troque as senhas do seu banco e do seu gov.br, se ele sabe alguma.
- Não empreste o cartão nem o CPF. Não seja fiador nem avalista.
- Se for pagar uma dívida, pague direto ao credor, com comprovante, e nunca em dinheiro na mão dele. Combine o que muda depois: atendimento, limite de Pix, bloqueio no celular.
- Mesada ou ajuda fixa? Pague contas específicas (aluguel, faculdade, plano de celular) em vez de transferir o valor.
- Dívida grande pede outro caminho, que explicamos em dívidas de apostas: o que fazer.
A conversa
Escolha um dia sem briga recente e sem ele ter acabado de perder. Fale de um fato, com data, e de como você se sente, e não de quem ele é. "Quinta você me pediu R$ 300 para o dentista e eu fiquei sabendo que não tinha dentista. Eu fiquei com medo" abre mais espaço do que "você é viciado e mentiroso". Ofereça uma coisa concreta para ele responder sim ou não. O passo a passo, com frases para a mãe e o pai, está em como propor o pacto.
Atendimento grátis, para ele e para você
- Meu SUS Digital: no app ou na versão web, entre com o gov.br, seção Miniapps, "Agora Tem Especialistas em Saúde Mental pra Quem Aposta". Tem um autoteste anônimo e o pedido de teleatendimento por videochamada. Serve para quem aposta e para familiares, e não precisa fazer o autoteste antes (Ministério da Saúde).
- UBS e CAPS da sua cidade, para atendimento presencial.
- Grupos de familiares, como o Jog-Anon, que é gratuito.
Você pode procurar ajuda mesmo que ele ainda não queira. Chegar à conversa com mais calma muda a conversa.
Barreiras no celular, com ele
Se ele aceitar, façam juntos, num sábado de manhã, e não às pressas:
- Baixar o limite do Pix, sobretudo o noturno. A redução vale na hora; o aumento leva de 24 a 48 horas (Banco Central).
- Sair dos grupos de "palpites" no Telegram e no WhatsApp, e mudar quem pode adicioná-lo a grupos para "Meus contatos".
- Remover apps de cassino instalados por APK e desligar a instalação de apps desconhecidos.
- Ativar um bloqueio de sites. Opções grátis e pagas estão em como bloquear o tigrinho no Android.
Onde o Pacto entra
O Pacto foi pensado para quem quer ajudar sem ficar vigiando. É um app para Android que bloqueia mais de 8 mil domínios de apostas por uma VPN local. Você vira padrinho ou madrinha com o seu WhatsApp, mesmo morando em outra cidade. Não há botão para desligar o bloqueio dentro do app, e tirar você de padrinho exige 24 horas de espera. Se ele desligar a VPN nas configurações, você recebe o aviso no WhatsApp. Você não vê o celular dele nem as conversas.
A conta e a assinatura podem ficar no seu e-mail, e o cancelamento é feito na Hotmart, sem multa. O que não faz: não funciona no iPhone, não impede apostas em outro aparelho, e se o app for desinstalado, o padrinho só é avisado quando o celular passa 24 horas sem dar sinal. O aviso não é instantâneo: o app confere a proteção a cada 15 minutos e precisa de internet para avisar.
Ver como funciona para a família
O Pacto é uma ferramenta de apoio e não substitui acompanhamento profissional. Conteúdo para maiores de 18 anos. Situação legal descrita em 20/10/2026: a MP 1.394/2026 está sendo contestada no STF e precisa ser votada pelo Congresso.
Perguntas frequentes
Meu filho é maior de idade. Posso obrigá-lo a parar?
Não. Um adulto decide sobre o próprio celular e o próprio dinheiro. O que a família controla é o que é dela: o seu dinheiro, a sua casa, o que você paga e o que não paga. E pode propor ajuda e uma barreira combinada.
Devo pagar as dívidas de aposta do meu filho?
Pagar sem combinar nada costuma liberar dinheiro para a próxima aposta. Se for ajudar, pague direto ao credor, nunca em dinheiro na mão dele, e junto com um plano: atendimento, limite de Pix e bloqueio no celular. Para dívidas grandes, a Defensoria Pública orienta de graça.
Existe atendimento grátis para a mãe ou o pai?
Sim. O teleatendimento do SUS pelo Meu SUS Digital atende quem aposta e também familiares e pessoas da rede de apoio. Na solicitação, você indica se o atendimento é para você.
Meu filho mora em outra cidade. Consigo ajudar de longe?
Sim, em boa parte. Conversa por vídeo ou mensagem, atendimento do SUS por videochamada e um bloqueio em que você fica como padrinho pelo WhatsApp funcionam a distância.