Atualizado em 20 de outubro de 2026 · 4 min de leitura · para maiores de 18 anos
Autoexclusão de apostas parou: o que fazer agora
A autoexclusão do governo está fora do ar e, mesmo quando funcionava, não alcançava os sites onde ainda se aposta. A página da Secretaria de Prêmios e Apostas diz, com todas as letras: "Plataforma indisponível por conta de Medida Provisória n° 1.394, de 25 de setembro de 2026" (SPA, consultada em 20/10/2026).
O que pôr no lugar depende de onde a pessoa aposta hoje. Se é em site clandestino, a proteção tem de estar no próprio celular e no dinheiro: bloqueio de sites, limite de Pix e alguém da família por perto. Abaixo, o que a autoexclusão fazia, o que nunca fez e as opções que existem, grátis e pagas.
O que a autoexclusão fazia
A plataforma centralizada permitia "bloquear o seu acesso a todas as casas de apostas federais autorizadas por um período mínimo de 1 (um) mês" (SPA). Funcionava pelo gov.br, com conta prata ou ouro, e era grátis. Segundo a reportagem do Estadão, mais de 1,3 milhão de brasileiros tinham pedido autoexclusão até 25 de setembro, e 51% declararam relação direta com problemas de saúde (Yogonet, 08/10/2026).
Quem fez esse pedido deu um passo difícil: admitiu que precisava de uma barreira e foi buscar uma. Isso continua valendo, mesmo com a plataforma desligada.
O que ela nunca fez
- Não cobria site clandestino. O bloqueio valia para as casas autorizadas pela SPA. As que não tinham autorização ficavam de fora antes, e são as únicas que restaram depois de 06/10/2026.
- Não cobria links de Telegram e WhatsApp. O Ministério da Justiça identificou 1.027 grupos de Telegram com 18.456.115 usuários ligados à oferta irregular de apostas (MJSP, 09/10/2026).
- Não podia ser pedida pela família. Exigia o gov.br do próprio apostador.
- Não agia no celular. Bloqueava o CPF dentro das casas. Um app de cassino instalado por APK, com cadastro em outro nome, passava por fora.
O que a família pode fazer agora, grátis
- Limite do Pix. No app do banco, baixar o limite diário e, sobretudo, o noturno (das 20h às 6h). Pela regra do Banco Central, a redução vale na hora e o aumento só vale depois de 24 a 48 horas (BCB). É o mais perto de uma "autoexclusão" que existe hoje, e depende só do banco.
- Bloqueio por DNS no Android. Em Configurações, Rede e Internet, DNS privado, com um provedor que filtre apostas, como a categoria "Gambling" do NextDNS, grátis até 300 mil consultas por mês (NextDNS). Desliga-se fácil.
- Bloqueador grátis com prazo fixo. O BetBlocker trava por um período escolhido, de 24 horas a 5 anos, e avisa na ficha da Google Play que o suporte não ajuda a remover antes do prazo.
- Sair dos grupos e mudar, no WhatsApp e no Telegram, quem pode adicionar o número a grupos para "Meus contatos".
- Atendimento. O SUS oferece teleatendimento grátis pelo Meu SUS Digital, para quem aposta e para familiares, sem precisar fazer o autoteste antes (Ministério da Saúde, 10/10/2026).
E se a MP cair?
A MP 1.394/2026 está sendo contestada no STF (STF, 28/09/2026) e precisa ser votada pelo Congresso. Se o regime anterior voltar, as casas autorizadas podem reabrir. A SPA não disse o que acontece com os pedidos de autoexclusão já feitos. Até haver resposta oficial, quem se autoexcluiu não deve contar com eles.
Em qualquer cenário, as clandestinas continuam. Por isso a barreira que importa é a que fica no aparelho.
Onde o Pacto entra
A autoexclusão tinha uma qualidade que os bloqueadores comuns não têm: depois de pedir, não dava para voltar atrás no impulso. O Pacto tenta manter essa qualidade no celular, com uma pessoa no lugar do sistema.
É um app para Android que bloqueia mais de 8 mil domínios de apostas, incluindo endereços conhecidos de sites clandestinos, por uma VPN local. Um familiar fica como padrinho, com o WhatsApp dele. Não há botão para desligar o bloqueio no app; tirar o padrinho exige 24 horas de espera; e, se a VPN for desligada nas configurações, o padrinho recebe o aviso no WhatsApp.
Diferente da autoexclusão, a conta pode ficar no e-mail da família, e o cancelamento da assinatura é feito na Hotmart quando quiserem. O que ele não faz: não funciona no iPhone, não protege outro aparelho, um site novo pode levar algum tempo para entrar na lista, e se o app for desinstalado, o padrinho só é avisado quando o celular passa 24 horas sem dar sinal. O aviso não é instantâneo: o app confere a proteção a cada 15 minutos e precisa de internet para avisar.
O Pacto é uma ferramenta de apoio e não substitui acompanhamento profissional. Conteúdo para maiores de 18 anos. Situação descrita em 20/10/2026.
Perguntas frequentes
A autoexclusão de apostas do gov.br ainda funciona?
Não. A página da Secretaria de Prêmios e Apostas diz: Plataforma indisponível por conta de Medida Provisória n° 1.394, de 25 de setembro de 2026 (consultada em 20/10/2026).
Eu me autoexcluí antes da proibição. Estou protegido?
Só nas casas que eram autorizadas, e elas fecharam. A autoexclusão bloqueava o CPF nas plataformas autorizadas pela SPA e nunca valeu para sites clandestinos, que são os que continuam funcionando.
A família pode pedir a autoexclusão no lugar do apostador?
Não podia. O pedido exigia a conta gov.br prata ou ouro do próprio apostador. Hoje a plataforma está fora do ar para todos.
Se a MP cair, a autoexclusão volta?
Se o STF suspender a MP ou o Congresso não a votar, o regime anterior pode voltar. A SPA não informou o que acontece com os pedidos de autoexclusão já feitos. Até 20/10/2026, não encontramos resposta oficial.